terça-feira, 14 de setembro de 2010

Formas de expressão e sistemas sociais

Relação entre o sistema e as formas de expressão

É necessário ressaltar que as novas tendências, as formas de expressões humanas da atualidade e suas derivações são reflexos do capitalismo, do sistema que rege a política, a economia e, consequentemente, a sociedade. E isso é explícito na composição de atitudes das pessoas hoje em dia, de forma que estas se põe a valorizar fatores que remetem, por exemplo, à ideia de propriedade privada; vê-se isso desde os primórdios da formação dos estudantes, no ensino primário, quando os pequenos vivenciam a primeira compra de material escolar, e, logo, a primeira dominação sobre algo, numa relação com seus colegas que mantém o caráter capitalista. Com o passar do tempo, então, as pessoas vão se adequando à esse pensamento e formulando sua cabeça para tornar-se um componente do sistema político-econômico e, claro, social (não se pode esquecer do social). Deste ponto da sociedade é que surgem as influências capitalistas no meio expressivo, na arte e na própria cultura.
Para entender melhor, é agradável o entendimento sobre alguns ápices da história da humanidade. É conveniente destacar a tão formosa Grécia Antiga. As manifestações artísticas desse mundo alcançaram um desenvolvimento muito notável, de maneira que refletiram as principais tradições e transformações que ocorreram naquela sociedade ao longo do tempo - como toda manifestação artística o faz - e atingiram um número de produção e de sujeitos produtores (artistas) impressionante. A arte grega, voltada para o antropocentrismo, é mais preocupada com o realismo e, por isso, buscou exaltar a beleza humana, destacando a perfeição de suas formas e, em certo ponto, mirou ao âmbito social, de uma maneira racionalista, manifestando as observações concretas dos elementos que envolvem o homem, ou seja, a sociedade em si e suas relações. Mas vale insistir em uma coisa: os gregos não se preocupavam com dinheiro ou bens de consumo de forma explícita com a sociedade atual, afinal, hoje em dia um banco é mais importante, na opnião da maioria da parcela da população, que um museu. "Cada sociedade tem o artista que merece", célebre frase do personagem de Friedrich Holderlin, Hiperion. E não é verdade? Basta ir a um museu em que conste obras da Antiguidade Clássica para perceber que milhares delas são anônimas, são criações, muitas vezes, de pessoas normais, diferentemente da sociedade capitalista, em que artistas são raros e, todavia, artistas verdadeiramente bons mais raros ainda.
Mas essa diferença pode ser explicada simplesmente pela comparação do meio governamental que a sociedade adotava. Para isso, é ideal manter em mente as diferenças entre o Helenismo e o Capitalismo.
No ano de 338 a.C., na Guerra da Queronéia, a Grécia, diante da derrota, perdeu a autonomia político-territorial sobre a região. O helenismo refere-se ao conhecimento filosófico produzido entre a morte de Alexandre e o início da filosofia medieval. Esta fluência do pensamento humano formou-se pela fusão entre a tradição grega e a cultura oriental e seus principais pensadores foram Cícero, Zenão, Plotino e Epicuro. O conhecimento produzido por esse período foi em diferentes  direções, variando entre a matemática, a geometria, a astronomia e a geografia. Mas o que vale ressaltar, em termos da formação das manifestações culturais é que os filósofos helenistas estavam preocupados com a ética, a busca pela felicidade individual e a imperturbabilidade (fator provavelmente reforçado pela influência oriental).
Quanto ao capitalismo, encontramos seus primeiros pontos de origem na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, entre os séculos XII e XIV, com a formação de uma nova classe social: a burguesia, que visava o lucro através de atividades comerciais. Neste contexto, surgem os banqueiros e os cambistas, cujos ganhos estavam estritamente relacionados ao dinheiro em circulação, manifestando a presença de dinâmica econômica. Os historiadores consideram aqui os primeiros princípios do sistema capitalista, como o lucro, o acúmulo de riquezas, o controle do sistema de produção e a expansão dos negócios.
O estopim de tudo isso acontece, na minha opnião, com a fundação do liberalismo econômico, sintetizado a partir dos ideais iluministas entre os séculos XVIII e XIX, a partir de John Locke e Adam Smith, sempre com a errônea ideia da submissão da natureza ao homem. Os fatores que eram dados atenção eram: a individualidade econômica, ou seja, a propriedade privada, a não-intervenção estatal, o livre mercado, entre outros.
Perceberam as diferenças? Com características tão distintas entre os sistemas, é lógico acreditar que também há distinção entre as manifestações culturais.  Coloco, pois, duas imagens que afirmam a frase do querido Hiperion; Marilyn Diptych, de Andy Warhol, e o Laoconte e seus filhos (Museu do Vaticano). Observem:


Deixo os comentários sobre este paralelo nas suas mãos, leitores. (Comentem!).

Um pouco mais sobre as formas de expressão

Durante milhares de anos de história humana, de milhares de povos e culturas, foram formando-se vários tipos de formas de manifestação artístico-cultural. É difícil prever qual foi a primeira maneira de expressão, mas é provável uma aproximação do sentido da visão, já que os homens antigos, que viviam todavia em cavernas, buscavam desenhar nas pedras os animais que caçavam, provavelmente para um ensinamento às próximas gerações (crianças e adolescentes) ou até mesmo por lazer ou necessidade (de expressar algo).
Com o passar do tempo e o desenvolvimento da racionalidade humana, as criações começaram a dominar um universo muito mais vasto, adentrando no âmbito, além da pintura, da escultura, da música, da arquitetura, do teatro, do circo, e, posteriormente, na modernidade, do cinema, das histórias em quadrinho, e, enfim, em muitos outros .
É claro que, como todo o desenvolvimento, isto está muito longe de se estatizar. Muito pelo contrário, as milhares de manifestações artísticas apenas promovem a formação de novas tendências e novas vanguardas para o futuro. Esperemos que tudo vá num rumo seguro, firme, e, claro, belo.


Juan Narowé


A quem se atrever: Confronto entre cultura popular e cultura erudita.

Um comentário:

  1. Célebre, Narowé, célebre. O importante é abrir nossos olhos e o dos outros. In arte antropocentrica, out egocentrismo burguês.

    ResponderExcluir