quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Pequeno conto um pouco filosófico

O Eneas que amava...

Eneas amava uma moça, porém nunca soube ser robusto e demonstrar o vigor de seu corpo, que para ela era muito necessário. A mulher essa chamava-se Isadora e tinha um caráter muito extravagante, o que fazia justiça diante da aparência de seu modo de vestir ou do brilho de sua pele, nem parecia, às vezes, que de uma mulher normal saíam certas frases. Num dia de muito desejo Eneas sobrepôs por cima da censura psicológica sua vontade instintiva e acabou cometendo um ato de loucura. Foi até a casa da menina tão admirada e perguntou-lhe: "Porque você se importa tanto apenas com o corpo? Não lhe agrada tão somente meu espírito e meu saber?". Isadora, perplexa com tal situação, depois de meros segundos reflexivos respondeu: "Me importo com tão somente períodos de prazer, querido amigo."

Um longo tempo depois desse episódio, após as tristezas passadas em lindas noites de primavera, em que sempre ocorria da mente de Eneas pensar no fato de que apenas ele, dentre todas as outras flores, todavia não havia desabrochado e exalado um odor, ele se viu numa outra situação com que lidar. Podia ser novamente perigosa e decepcionante, mas ele decidiu arriscar: havia encontrado, pois, seu novo par. A menina tinha nome de Yasmim e acabou cedendo para o magrelo sujeito, dizendo sempre: "Ah, como agradeço ao destino o fato de encontrar neste mundo algo mais que grandes músculos!". O prazer de Eneas ao ouvir estas palavras, que eram citadas logo depois de grandes momentos amorosos, acabou por ser expressado num tamanho extremamente maior do que seu normal. Quer dizer, para cada desprazer, um prazer à altura: a natureza correta é o equilíbrio, e foi esse o aprendizado do caro futuro namorado da menina chamada Yasmim. As flores, por fim, desabrochavam...

Juan Narowé


Próximo tema: Quem se atreve a fazer uma poesia sobre LIBERDADE?

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